Livro: meu suor meu sangue aqui te deixo no cimo da pátria Meto a viola debaixo do braço e viro a página. Adeus.Manuel AlegreNunca muita graça te acheinem na prosa me contentas.A poesia em tom menora sensível alma me não incendeia.O teu Portugal de boca cheianáusea me causae mais me chateia.Não me alegrasnem me comandasa pátriaou orgulho.Cansas-meda barba ao gestoe nem quente nem friome quedo.Não haverá machado que corte a raiz ao Vazio?Poema de alto enlevo patriótico escrito em êxtase porGervásio Contente
11 July 2010
Sim, pois
03 July 2010
Postal de Lisboa
So take me to the airport
And put me on a plane
I got no expectations
To pass through here again
And put me on a plane
I got no expectations
To pass through here again
Pois é
agora trabalho
e de tanto trabalhar até me canso
mas é um cansaço triste
de os ver não enquanto dormem, Aí sonham e são livres
O pior é quando se acorda
e
da barafunda das coisas e das gentes
pouco mais há que tempo e tempo e sol se o céu é generoso
porque os homenzinhos de fato suado e gravatela
há muito que nem olham
nem vêem,
Ver o Quê, pergunte-se,
ver Nada responda-se.
Mentira!, e de tanto se mentir, a verdade nem quer dizer coisa alguma,
eu, eu vejo-os todos os dias
a rastejar pelo hospital da Saúde adiada
sem abrigo desta Vida Livre
sarnosos de sarna verdadeira
piolhosos de piolhos verdadeiros
bêbados porque o vinho sempre vai alimentando a alegria de mais um dia vivido indo de rua em jardim de banco em sombra até à escadaria da Igreja acompanhando o voo dos pombos que cagam mais do que comem
do ir indo de fome em fumo de cigarro de apodrecer dentes e pulmões
e
nunca esquecer
eu não consigo esquecer
que somos todos filhos de um Deus Maior
indo e vindo
da esmola à raiva
de rua em rua
no vício de ser feio porco sujo e demasiado pobre para sequer ter direito a falar e ser ouvido.
a medicina não é silêncio que se não oiça
nem denúncia que se cale
Cuidado!
No Expectations, The Rolling Stones
05 June 2010
TIME FALLING
Time moves
in
a non local
circum
stance
(if it moves at all)
back swing
free
falling
a
drop
of
rain
on
the
tip
of
our
memory
photo by anna cercova
words by n.f.a
03 June 2010
ENOUGH IS ENOUGH
Why don't you all f-fade away
Well, enough is enough, little straw men
homenzinhos de palha encostados uns aos outros
sacos
ocos
de poder sem nexo
(os vossos cães de guarda começam a não vos obedecer...)
(esse vosso futuro já vos foge)
(the times are really a'changin')
O vosso desespero já não é o nosso
a vossa Miséria não é a nossa
You
are not
of
My Generation
criaturas
mal falantes
baratas ratos ratazanas sarnosos piolhos pulgas percevejos
vírus em segunda-mão
imundície
vida de esgoto capitalista
cloaca
Fim de Império
homens pequenos
em eréctil disfunção
já
quasi nada
um lamento mole
a
impotência
E agora
pindéricos sarnosos?
Para onde julgam rumar a Nau?
À deriva
como sempre
roendo o biscoito
olhando
no horizonte
o voo digno do albatroz
Coisa pouca, afinal, meus medíocres políticos
coisa pouca
coisa nenhuma
Um destes dias o Mar voltará a ficar perto na distância...
15 May 2010
A Tempestade
Even if we stand at the very summit of virtue,
it is by mercy that we shall be saved.
St. John Chrysostom
it is by mercy that we shall be saved.
St. John Chrysostom
Vivemos tempos conturbados.
O Capital não pára. É um animal enjaulado.
As guerras já não o saciam. E o vento não está de favor.
A sua riqueza é pobre e podre.
A sua verdade é uma obscura mentira.
O Poder já está na Rua.
As Multidões vão crescendo como montanhas.
Fascista ou Democrata
o Poder
pode cada vez menos.
A Lama vai encalhando o Futuro.
Não há para onde fugir.
A Tempestade
aproxima-se...
Leave not a rack behind. We are such stuff
As dreams are made on, and our little life
Is rounded with a sleep.
As dreams are made on, and our little life
Is rounded with a sleep.
W. Shakespeare
11 May 2010
We Live and We Die
We Live
and
We Die
under
a
Lone
Strange Sky
Morreste Burlantim
do Fado de Alfama
em Santo Estêvão me baptizei, disseste
e Fado me cantaste
algo me dói
um pouco de tudo me magoa
cá dentro
a deus
um dia voltarás a cantar
e
ouvir-te-ei
como em antes de haver tempo
Burlantim, como vai ser a noite alfamada sem ti?
08 May 2010
And Here We Are (again)
€
decadence
Zero Value
Lies under Lies
under
Lies
Mais obscura e secreta que toda a politiqueirice aldrabona
destes neo-modernos governantes,
sinistra Mão
vai desenhando
uma outra forma de Poder
o
domínio
sobre a Vida
sobre a Humanidade
transmutando
a
Sociedade
em
Multidão
Coisa
Informe
Sem Valor
e
o
planeta
em
pedra
Estéril
Será Isto o Mal?
Mr. city policeman sitting
pretty little policemen in a row
See how they fly like Lucy in the sky
See how they run
pretty little policemen in a row
See how they fly like Lucy in the sky
See how they run
photo Reuters
02 May 2010
28 April 2010
Oh Help me in my Weakness
I heard the Drifter say
light bolts of thunder
sob um fim de tarde
afinal calmo e quente
de memórias
criadas em outro tempo
quando
houve
mais
speranza
25 de um Abril de outra era
Oh, voi che entrate!
E aqui chegados
portugal
é sempre o mesmo
a mesma oliveira
o mesmo vento vindo do Mar
o mesmo ir estando
com
ou
sem
Liberdade
morre-se
sem tempo
sem fim
vai-se esmorecendo
em lamento
e vã tristeza de amor
vai-se vivendo
pois, o 25 de Abril de agora...Houve outro. Já houve outro Vento. Agora é a calmaria de coisa nenhuma. Mar chão....
26 April 2010
Espanto-me Ainda
não minto
nunca
perante mim
e em Deus.
nada mais sou
senão pobre matéria,
coisa
mas
exactamente por isso
já não minto
de nada vale ser falso
ou
outro
senão este
e
Isto
foi
o
que
deus criou
tão vasto é o deserto da alma
nem ave
nem som
o Teu silêncio apenas
Então
Sei
24 April 2010
Mare Serentatis
moon is high
up loose
up there
tonight
transfiguro-me
já não sou mim ou eu
é-se
coisa
existindo
matéria
Massa
Mare
Serenitatis
Silêncio de Deus
Intimidade
Abba
Abba
Acende-se um cigarro, escreve-se pausa.
O Tempo não está. não flui não se encontra não tem não , parou .
E escrever é Ir. De memória em coisa, de sabor em cheiro, de Atlântico a Sahara.
E mais longe, oh sim, muito mais longe, ao tempo do antes. Do antes do antes, no instante do Primeiro Fogo, da Primeira Luz.
No Agora..
No Agora..
Primeira Memória; o Frio morno do nascer, rsepirar ar.
Mais Memória; chegar à Gare de S. Lazare, manhã, Lisboa, Luz, Ferro, Vidro, Gente, muita. Santa Apolónia. Bagagens, atropelo, peso, táxis, mais gente, mais sol, ofusco.......o Tejo....muito mais largo que o rio da minha terra....Comecei a Caminhar.
Agora estou aqui.
38° 29′ 43″ N, 8° 58′ 5″ W
The Spot:
The old Spirit of the Earth
the small naked clouds of unknowing
the thing that makes the things be
a mater primeva
Alma Mater
Maryam
O Lugar
O Teu Espírito Irmã Terra na Noite
das nossas pequenas nuvens de não saber qual coisa em coisa se transforma e nos faz assim Ser.
E o Teu Poder mágico Irmã Lua lançando mares luz sonho e desejo na humana creatura.
Laudato si, mi Signore, per sora Luna e le stelle:
in celu l'ài formate clarite et pretiose et belle
in celu l'ài formate clarite et pretiose et belle
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