25 September 2010

18 September 2010

De profundis



Agora que o Tempo já não vai tendo tempo para Ser

nesta solidão de coisa imperfeita
carne sangue de homem
e
de
loucura 
de tantas ideias tolas
com que se foi fazendo pouco mais que nada
Te chamo
e Te vou dizendo
Quia apud Dominum misericordia

Pois tudo te agradeço;
este naco de vida
em que senti
o que é ser

e dos outros ainda mais
irmãos
fratelli
nós

De profundis clamavi ad te, Domine
Domine exaudi vocem meam

ah, Nwahulwana

mãe
Terra
Mar
Céu

meu
Deus
ilumina
a escuridão negra do meu coração

quando
me for
voando
adentro de estrelas
sem esteira
sem rumo
sem saber
se
a
alma
que me foi dada
germinou
em mais
do que apenas Isto


04 September 2010

BARDO





Neste instante
morreste

já não és

explodiste
deixaste de ser
matéria

Estás de Passagem


Higg's Boson
 

11 July 2010

Sim, pois




Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus.
Manuel Alegre
Nunca muita graça te achei
nem na prosa me contentas.
A poesia em tom menor
a sensível alma me não incendeia.
O teu Portugal de boca cheia
náusea me causa
e mais me chateia.
Não me alegras
nem me comandas
a pátria
ou orgulho.
Cansas-me
da barba ao gesto
e nem quente nem frio
me quedo.
Não haverá machado que corte a raiz ao Vazio?
Poema de alto enlevo patriótico escrito em êxtase por
Gervásio Contente

03 July 2010

Postal de Lisboa


So take me to the airport
And put me on a plane
I got no expectations
To pass through here again
 


Pois é
agora trabalho
e de tanto trabalhar até me canso
mas é um cansaço triste
de os ver não enquanto dormem, Aí sonham e são livres
O pior é quando se acorda
e
da barafunda das coisas e das gentes
pouco mais há que tempo e tempo e sol se o céu é generoso
porque os homenzinhos de fato suado e gravatela
há muito que nem olham
nem vêem,
Ver o Quê, pergunte-se,
ver Nada responda-se.
 
Mentira!, e de tanto se mentir, a verdade nem quer dizer coisa alguma,
eu, eu vejo-os todos os dias
a rastejar pelo hospital da Saúde adiada
sem abrigo desta Vida Livre
sarnosos de sarna verdadeira
piolhosos de piolhos verdadeiros
bêbados porque o vinho sempre vai alimentando a alegria de mais um dia vivido indo de rua em jardim de banco em sombra até à escadaria da Igreja acompanhando o voo dos pombos que cagam mais do que comem 
do ir indo de fome em fumo de cigarro de apodrecer dentes e pulmões
e
nunca esquecer
eu não consigo esquecer
que somos todos filhos de um Deus Maior
indo e vindo
da esmola à raiva
de rua em rua
no vício de ser feio porco sujo e demasiado pobre para sequer ter direito a falar e ser ouvido.

a medicina não é silêncio que se não oiça
nem denúncia que se cale
Cuidado!



No Expectations, The Rolling Stones



 

05 June 2010

TIME FALLING



Time moves
in
a non local
circum
stance
(if it moves at all)

back swing
free
falling

a
drop
of
rain

on
the
tip
of
our
memory


photo by anna cercova
words by n.f.a

03 June 2010

ENOUGH IS ENOUGH



Why don't you all f-fade away

Well, enough is enough, little straw men
homenzinhos de palha encostados uns aos outros
sacos
ocos
de poder sem nexo

(os vossos cães de guarda começam a não vos obedecer...)
(esse vosso futuro já vos foge)
(the times are really a'changin')

O vosso desespero já não é o nosso
a vossa Miséria não é a nossa

You
are not
of
My Generation
criaturas
mal falantes

baratas ratos ratazanas sarnosos piolhos pulgas percevejos 
vírus em segunda-mão
imundície
vida de esgoto capitalista
cloaca

Fim de Império
homens pequenos
em eréctil disfunção
quasi nada

um lamento mole
a
impotência

E agora
pindéricos sarnosos?
 Para onde julgam rumar a Nau?

À deriva 
como sempre
roendo o biscoito
olhando 
no horizonte
o voo digno do albatroz

Coisa pouca, afinal, meus medíocres políticos
coisa pouca

coisa nenhuma



Um destes dias o Mar voltará a ficar perto na distância...



15 May 2010

A Tempestade




Even if we stand at the very summit of virtue, 
it is by mercy that we shall be saved.

St. John Chrysostom 


Vivemos tempos conturbados.
O Capital não pára. É um animal enjaulado.
As guerras já não o saciam. E o vento não está de favor.
A sua riqueza é pobre e podre.
A sua verdade é uma obscura mentira.
O Poder já está na Rua.
As Multidões vão crescendo como montanhas.
Fascista ou Democrata
o Poder
pode cada vez menos.
A Lama vai encalhando o Futuro.
Não há para onde fugir.
A Tempestade 
aproxima-se...




Leave not a rack behind. We are such stuff
As dreams are made on, and our little life
Is rounded with a sleep.


W. Shakespeare


11 May 2010

We Live and We Die



We Live
and
We Die
under
Lone 
Strange Sky

Morreste Burlantim 
do Fado de Alfama

em Santo Estêvão me baptizei, disseste
e Fado me cantaste

algo me dói
um pouco de tudo me magoa
cá dentro

a deus

um dia voltarás a cantar
ouvir-te-ei
como em antes de haver tempo


Burlantim, como vai ser a noite alfamada sem ti?


08 May 2010

And Here We Are (again)





decadence
Zero Value

Lies under Lies
under
Lies


Mais obscura e secreta que toda a politiqueirice aldrabona 
destes neo-modernos governantes,
sinistra Mão 
vai desenhando
uma outra forma de Poder

o
domínio
sobre a Vida
sobre a Humanidade
transmutando
a
Sociedade
em
Multidão
Coisa
Informe
Sem Valor
e
o
planeta
em
pedra
Estéril

Será Isto o Mal?



Mr. city policeman sitting 
pretty little policemen in a row
See how they fly like Lucy in the sky
See how they run 

photo Reuters


02 May 2010

Começo a Duvidar...


Começo a ter Dúvidas...

Algo
não
bate
certo

em vocês
...


photo National Geographic

Waiting

Waiting a Vanishing Light to move in Silence ..