O Real é um murro.
A realidade é a dor.
O Sangue pode ser a Vida.
Também eu tenho um pássaro
que esvoaça nesta gaiola negra
uma alma negra
e ele ave
é negro
e
olha
vê
observa
entedia-se.
Não o deixo voar livre.
Não quero.
Está
lá
aqui
.
ouve-me
-nunca, nunca te libertarei
enquanto não souber
uma ou duas
coisas;
porque me habitas
porque me conheces?
.
hás-de ver tudo
morte
fim
e
só então te darei liberdade.
De pleno direito voarás
e
serás livre de cantar
a inútil
vida
de um carcereiro
cruel
humano
animal.
.
Traíste-me?
Vais traír-me?
Tu que tudo viste.
Não
eu sei.
e
mais que crueldade
tu sabes em amores voar acima
dos ventos
e
(agora)
das coisas inúteis.
.
Não me mentes
não te iludo
companheiro.
Quero, quando toda esta merda acabar,
que sejas livre
e me voes no teu voo e me leves no meu madrugar
uma palavra
que irás espalhar no ar esvoaçado
-amei sem nunca ter sido querido-
espalha palavra a palavra
e
foge
amigo
.
uma infracção, Bukowski, sorry!
.
.
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